Curiosidades Vinicius Delmondes

O Evento Pluvial Carniano: Dois milhões de anos de chuva ininterrupta na Terra.

Agora imagina abrir os arquivos mais antigos do nosso planeta e dar de cara com um momento em que tudo saiu um pouco do controle. Estamos falando de algo que rolou há cerca de 232 milhões de anos, quando a Terra decidiu fazer a maior “festa da chuva” da história: o Evento Pluvial Carniano. Sim, meu amigo… foram dois milhões de anos chovendo sem parar.

Essa viagem ao passado começa lá nos Alpes Orientais, onde pesquisadores analisaram camadas de sedimentos siliciclásticos guardados dentro de rochas de carbonato. Ao mesmo tempo, no Reino Unido, o geólogo Alastair Ruffell estudava uma camada de rocha cinza escondida entre blocos vermelhos clássicos da região. Juntando tudo, eles perceberam que o planeta passou por um período absurdamente úmido que marcou o nascimento de uma nova era: a era dos dinossauros.

As pistas estão ali, gravadas nas rochas. Arenitos cinza, sedimentos que levaram eras para se formar… tudo indica que esse período chuvoso, chamado também de Crise Carniana, foi um gatilho essencial para a ascensão dos dinos. É como se a Terra tivesse deixado a torneira aberta por 1 a 2 milhões de anos e, no meio disso, tivesse preparado o palco perfeito para esses gigantes dominarem o planeta.

Depois dessa descoberta, cientistas começaram a montar o quebra-cabeça. E as peças apontam para a mesma direção: essa superestação chuvosa pode ter sido o ingrediente-chave que permitiu o surgimento e a explosão dos dinossauros e de vários outros animais terrestres.

A culpa? Uma megaerupção vulcânica

O “organizador” desse festival aquático foi nada menos que uma erupção vulcânica colossal na Província Ígnea de Wrangellia, área que hoje vai do sul do Alasca até a costa da Colúmbia Britânica. Segundo Jacopo Dal Corso, essas erupções liberaram quantidades enormes de dióxido de carbono na atmosfera, aquecendo o planeta de forma intensa.

Pangeia e suas monções eternas

E não para por aí. Naquele tempo, existia a Pangeia, o supercontinente que juntava tudo num bloco só. Isso criava um clima propício para monções gigantescas. O ar úmido dos mares avançava para o continente, esfriava e despejava chuva em volumes absurdos. E com oceanos aquecidos como caldeirões — segundo o paleoambientalista Paul Wignall — o clima ficou ainda mais caótico.

Mas claro… esse show climático também teve um lado sombrio. Chuva ácida, efeito estufa e aquecimento repentino levaram muitas espécies à extinção.

Depois do dilúvio

Quando finalmente a chuva acalmou, o balanço foi pesado: extinções em massa entre plantas e herbívoros terrestres. Mas foi exatamente esse “reset” que abriu espaço para os novos protagonistas da Terra.

Um estudo publicado no Journal of the Geological Society afirma que, após essa devastação, os dinossauros aproveitaram o vazio ecológico e se espalharam pelo mundo com velocidade. Começava ali a verdadeira Era dos Dinossauros.

E a recuperação desse período não serviu só para os dinos. Ela também pavimentou o caminho para muitos animais modernos: tartarugas, crocodilos, lagartos, lissanfíbios, mamíferos… tudo começou a ganhar forma a partir dessa reviravolta climática.

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